EveryWallIsAStatement de Tiago Casanova

Estava caminhando pela noite do Porto e encontro em frente a Torre dos Clérigos, ponto turístico da cidade dos tripeiros, um muro e uma tipografia: EVERY WALL IS A STATEMENT. E foi este o meu primeiro encontro com a Gang do Cobre, projeto do madeirense Tiago Casanova, arquiteto, fotografo, artista que teve a instalação exposta, com outras cinco de outros criadores, até este domingo, 16 de janeiro, pelo projeto Alumia.

Não só encontrei a obra como depois, como essa internet de meu deus nos permite, encontrei Tiago, e o convidei para compartilhar esta historia de sua arte, seu projeto, sua visão com nossa “comunidade desblogada”.

Tiago flutua em várias facetas das artes, mas vamos começar a falar especificamente de sua instalação, aviso logo que não editei o que Casanova escreveu, então sim, apesar de ser a mesma língua, vocês vão ver algumas diferenças do PORTUGUÊS (PT).

Caso queiram saber mais sobre o seu trabalho, no final do post tem link.

Então manxs, vamos conhecer um pouco do olhar de Tiago?

“Neste caso específico utilizei o azulejo por ser um elemento caracterizador da arquitectura portuguesa, e que infelizmente é alvo frequente de furtos para depois serem vendidos no mercado negro ou a turistas famintos pelo “souvenir”. Todos os azulejos são pintados à mão por mim.”

Desblogada: A primeira impressão quando dei de frente com a intervenção era de ser algo orgânico. Mas vi pelo que vi no teu site é que é uma linguagem de um projeto teu. É o teu primeiro statement?

Tiago Casanova: O projecto chama-se “Gang do Cobre”, que funciona como um género de alter ego, um heterónimo com personalidade própria. Como o nome sugere, é a interpretação de uma associação criminosa, onde a sua própria existência é já por si mesma um Statement. Produz intervenções de cariz político, intervertido e anti-sistema, com uma linguagem próxima à arte urbana, utilizando sempre a cor de cobre como elemento identificativo mas também como crítica à ostentação. Já fiz cerca de 11 ou 12 intervenções dentro deste projecto, mas onde todos são um statement ou carregados de teor critico.

Desblogada: Todas em Portugal?

Tiago Casanova: Sim, é um projecto muito sobre Portugal. Mas não digo que será sempre exclusivamente em Portugal. É um projecto que fala muito sobre arquitectura, a cidade, sobre a decadência, a destruição e património.

Desblogada: Achei fantástica a escolha do material. Por isso que escolhestes então o azulejo?

Tiago Casanova: Sim, neste caso específico utilizei o azulejo por ser um elemento caracterizador da arquitectura portuguesa, e que infelizmente é alvo frequente de furtos para depois serem vendidos no mercado negro ou a turistas famintos pelo “souvenir”. Todos os azulejos são pintados à mão por mim.

Desblogada: Aqui em Portugal existe muita influência artística, histórica, geográfica, etc. e claro que isso cria uma identidade das artes portuguesas. A performance geralmente chega para questionar, como tu vê hoje a cena artística da performance em Portugal?

Tiago Casanova: Sinto que cada vez há um maior interesse por parte dos artistas contemporâneos em ter um papel activo na sociedade através da sua arte. Isso é o reflexo de uma sociedade que se está a desmembrar, que está a voltar a ser racista, homofóbica, intolerante, violenta… Creio que a papel dos artistas na sociedade é fundamental para agitar pensamentos e mudar mentalidades, e é aí que a performance ganha e tem ganho cada vez mais destaque pois pode ser uma forma eficaz de chegar a um público mais alargado. Por isso acho que esse crescimento está directamente associado a certas realidades políticas, sociais e económicas que vivemos actualmente.

Desblogada: Pra finalizar, uma pergunta mais reflexiva (risos), o que te move a criar?

Tiago Casanova: Primeiro creio que é uma necessidade que faz parte de mim. Creio que qualquer artista ou criativo sente isso dessa forma, quase como uma doença compulsiva que o obriga a fazer algo. Em segundo porque acredito que a nossa presença neste mundo, em termos individuais, é bastante insignificativa. Somos 1 em biliões. Não creio que faça muito sentido esta vida de trabalho das 8 às 8, e fazer sempre a mesma coisa, com o propósito de ganhar dinheiro porque é preciso comer. Por isso gosto de pensar que tenho de me dedicar ao que realmente gosto, e fazer do que gosto algo com significado para um grupo maior de pessoas.

Sobre Tiago Casanova

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *